Página Inicial  | Biografia  |  Fotos  |  Arquivo de Notícias  |  Pronunciamentos  |  Contato  |  Links  |  Youtube

   
            
   
 
17/07/2017
No Foro de São Paulo, Gleisi denuncia perseguição a Lula No Foro de São Paulo, Gleisi denuncia perseguição a Lula

A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, senadora Gleisi Hoffmann, denunciou a perseguição que ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sofrido no Brasil durante intervenção, neste domingo (16), na abertura do 23º encontro do Foro de São Paulo, na Nicarágua.

Ela está em Managua acompanhada pela secretária executiva do Foro de São Paulo e de Relações Internacionais, Monica Valente; a secretária de Mulheres, Laisy Morière; do vice-presidente do PT,Luiz Dulci; Kjeld Jakobsen, Artur Henrique e Selma Rocha.

O encontro reúne diversos partidos de esquerda da América Latina e Caribe e será realizado até a próxima quarta-feira (19). Em sua fala, Gleisi denunciou a perseguição que Lula está sofrendo pelo judiciário brasileiro, principalmente pela figura de Sérgio Moroalertou sobre a atuação direita reacionária e golpista.

“Estamos frente a ofensiva de judicialização da política em todo o continente, e no Brasil a intenção é destruir o PT e impedir que o maior líder popular brasileiro, Lula, seja nosso candidato nas eleições presidenciais de 2018, pois sabem que a possibilidade de sua vitória é enorme”, disse.

“E mais do que nunca necessitamos de um governo de esquerda de volta ao nosso país para retomar o desenvolvimento nacional, a política externa altiva e ativa e reverter as consequências do ajuste neoliberal imposto pela quadrilha golpista que se instalou no nosso governo”, completou Gleisi.

Além disso, a presidenta do PT saudou as vitórias de Daniel Ortega, na Nicarágua, e Lenin Moreno, no Equador.

Confira a fala de Gleisi Hoffmann na íntegra:

“Companheiras e companheiros, delegados, delegadas e convidados a este 23º Encontro do Foro de São Paulo. Em nome do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil nossas calorosas e fraternais saudações. Me chamo Gleisi Hoffmann, sou Senadora da República e há um mês no nosso 6º Congresso Nacional fui eleita presidente do nosso Partido. Sou a primeira mulher a ocupar este honroso cargo.

Agradeço aos companheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional por auspiciar este Encontro e saudamos os triunfos eleitorais mais recentes de Daniel Ortega na Nicarágua e Lenin Moreno no Equador que demonstraram claramente que é possível enfrentar e derrotar as novas táticas eleitorais e golpistas da direita. Também queremos mencionar a importante vitória que foi a libertação do companheiro Oscar Rivera, este grande lutador pela independência porto-riquenha assim como também consideramos vitorioso o que foi alcançado até aqui no processo de paz na Colômbia, um processo que devemos acompanhar e apoiar até sua aplicação.

No entanto, a direita reacionária e golpista não descansa. Na semana passada um juiz de Primeira Instância no Brasil condenou o Presidente de Honra do PT e ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos de prisão com base em delações sem fundamento e sem provas. A acusação era a de ter recebido um apartamento de presente de uma Construtora. Porém, os fatos reais demonstram a dimensão da perseguição e da calúnia que querem imputar ao Lula, pois o dito apartamento na verdade pertence a um banco e não à Construtora e, portanto, não poderia ser doado a quem quer que fosse.

Nosso ex-tesoureiro, João Vaccari Neto, acabou de ser absolvido da primeira condenação imposta pelo mesmo juiz, pois contra ele apenas pesavam delações e não provas conforme instrui o Código Penal do Brasil, seguido corretamente pelos juízes de segunda instância.

Estamos frente a ofensiva de judicialização da política em todo o continente, e no Brasil a intenção é destruir o PT e impedir que o maior líder popular brasileiro, Lula, seja nosso candidato nas eleições presidenciais de 2018, pois sabem que a possibilidade de sua vitória é enorme. E mais do que nunca necessitamos de um governo de esquerda de volta ao nosso país para retomar o desenvolvimento nacional, a política externa altiva e ativa e reverter as consequências do ajuste neoliberal imposto pela quadrilha golpista que se instalou no nosso governo.

Apesar do revés eleitoral que sofremos na Argentina e o golpe parlamentar no Brasil, os principais partidos membros do Foro de São Paulo estão retomando a ofensiva política diante dos atuais governantes da direita nestes dois países com a perspectiva de voltar a governa-los no curto prazo.

O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao Presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica

As análises que vimos fazendo ao longo dos últimos Encontros ratificam o fato de que estamos enfrentando uma nova fase do capitalismo neoliberal, o que confirma cada vez mais claramente ao constatarmos a concentração das cadeias produtivas globais em torno de um número cada vez menor de empresas monopolistas em cada setor, que por sua vez são controlados por um grupo cada vez mais concentrado de megabancos e fundos de investimento. Estes grupos econômicos pressionam e ampliam suas exigências por favorecimentos dos Estados Nacionais para ampliar seus lucros.

Em momentos de crise econômica como a que estamos enfrentando desde 2008, um fenômeno que sempre se apresenta é o protecionismo nacional, principalmente, nos países imperialistas. Estes fecham suas economias ao mesmo tempo em que exigem a abertura dos demais países. Prova disto, o Presidente dos EUA, Donald Trump, elegeu-se no ano passado sustentado por uma plataforma protecionista na economia, xenófoba e reacionária no social e fascista na política. Suas medidas mais recentes na economia e no comércio, a rejeição ao Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, as medidas anti–imigração, a revisão do acordo de normalização das relações com Cuba e a ingerência direta no conflito sírio são uma prova disso.

Por outro lado, enfraquecem-se as instituições políticas, econômicas e sociais nacionais e internacionais herdadas do liberalismo do século XIX. Elas não respondem mais com eficácia às necessidades das sociedades nos dias de hoje, pois a corrupção, o tráfico de influências, o desvio de recursos e enriquecimento ilícito de setores políticos e a submissão da política aos ditames da economia não respondem, não solucionam e não convencem nossos povos diante dos problemas e necessidades que enfrentam em sua vida cotidiana.

Tenho certeza que as discussões realizadas neste 23º Encontro pelos partidos membros do Foro de São Paulo contribuirão para a implementação de uma política de desenvolvimento para a América Latina e Caribe com amplitude na sua visão e com uma proposta econômica de menor dependência das commodities, maior valor agregado, integração regional mais forte e transformações estruturais fundamentais. Para isto chegamos a um grande acordo que se traduziu na concretização de uma ampla plataforma programática e de ação: o “Consenso de Nossa América”.

Nós do PT defendemos que é necessário enfatizar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, osdireitos dos trabalhadores imigrantes, o rechaço à xenofobia e ao racismo, a agenda do trabalho decente, a democratização dos meios de comunicação e a valorização da economia social e solidária.

Devemos valorizar e aprofundar as propostas políticas já definidas como os princípios que norteiam o “Consenso de Nossa América”, a resolução da CELAC que considera a América Latina e o Caribe uma Zona de Paz e os princípios do Direito Internacional, particularmente, da autodeterminação dos povos e a não ingerência externa.

Aproveitamos para manifestar nosso irrestrito apoio e solidariedade aos companheiros do Partido Comunista Cubano e ao povo de Cuba diante do retrocesso imposto pela nova administração do governo estadunidense em relação aos acordos alcançados com a administração Obama e a manutenção do criminoso bloqueio econômico.

Este ano comemoramos o centenário da Revolução Russa de 1917 e também o cinquencentenário da queda em combate e o assassinato posterior do guerrilheiro heróico, o comandante Ernesto Che Guevara, a quem recordamos para que tenhamos sempre presente a necessidade da transformação social de nossos países.

Aproveito para reforçar o convite para que voltemos a nos encontrar em Montevidéu no mês de novembro para uma nova edição da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo”.


Da Redação
 da Agência PT de Notícias


Gleisi Hoffmann: Por um julgamento isento para Lula e para o povo

Em artigo, presidenta do PT fala sobre a relação entre o juiz Sérgio Moro e a mídia a ponto de usar reportagens da Globo como “provas documentais”

É inegável que existe uma parceria afinada entre a Força Tarefa da Lava Jato e os meios de comunicação. Desde o início das investigações, está claro que essa aliança tem como principal alvo o Partido dos Trabalhadores e seu maior líder, o ex-presidente Lula. A condenação de Lula não causa espanto, sobretudo pelo modus operandi do juiz Sérgio Moro, que não ruborizou ao atropelar a Constituição Federal e fazer valer sua tese sem fundamento em torno da aquisição de um apartamento triplex no Guarujá. Mas o que causou espanto foi o momento escolhido pelo juiz de Curitiba para anunciar a sentença. Curiosamente, Moro condenou Lula um dia depois da aprovação da nefasta reforma trabalhista.

Repentinamente, as discussões sobre trabalho intermitente e horário de almoço negociado desapareceram do noticiário. E ninguém mais falou da ameaça de mães e gestantes amamentarem os filhos em locais insalubres, muito menos discutiu-se o fim da Justiça do Trabalho como a conhecemos atualmente. O que de fato sobressaiu nas tevês e jornais não foram as mudanças, que afetam grande parte da população, mas a saga de Lula. O power point bisonho elaborado pela Força Tarefa prevaleceu sobre o desmonte da CLT, desviando, ainda por cima, o foco sobre a votação do parecer que pedia o afastamento de Michel Temer.

Uma jogada de mestre, diria um especialista em marketing. Porém, estamos falando das ações de um juiz, a quem cabe garantir condições mínimas de defesa a um cidadão, seja lá quem ele for. Lula não está acima da lei, mas tampouco abaixo dela. Sua condenação na última quarta-feira apenas reforçou a perseguição política a que ele e sua família vêm sendo submetidos nos últimos anos, acossados por procuradores e um juiz parcial que estão mais interessados em servir aos interesses de grupos poderosos de mídia a cumprir com as tarefas que lhes foram delegadas. Sabe-se lá se apenas por vaidade, ou então outro motivo, mas a verdade é que o magistrado e seus auxiliares na acusação têm forte atração por holofotes.

A parceria entre a Justiça Federal de Curitiba e a mídia é tão umbilical que Moro usou reportagens do jornal “O Globo” como “provas documentais” para a condenação. Ao mesmo tempo, ignorou documentos apresentados pela defesa do ex-presidente, que demonstravam que a posse do apartamento nunca foi de Lula, uma vez que o imóvel estava vinculado à Caixa Econômica Federal desde 2009. É no mínimo curioso que uma matéria de jornal se sobreponha a um documento lavrado em cartório, ainda mais em caso de tamanha repercussão.

Se usarmos a mesma conduta que Moro dispensou a Lula, podemos dizer que o juiz de Curitiba é amigo íntimo de grandes figuras golpistas da história recente do Brasil. Afinal, é de conhecimento público a foto em que ele aparece sorrindo e confraternizando ao lado de Michel Temer, Aécio NevesGeraldo Alckmin e José Serra – todos, coincidentemente, investigados pela Lava Jato, mas vergonhosamente poupados de condenações. Nesse contexto, também podemos afirmar que Moro é um amigo íntimo do prefeito de São Paulo, João Dória, o garoto-propaganda das elites escalado para propagar o ódio contra Lula e o PT.

Moro não é obrigado a gostar de petistas, muito menos deve se abster das amizades que tem. Mas deveria, por obrigação do ofício, desvincular-se das preferências pessoais e se pautar pelo devido processo legal na hora de tomar suas decisões, ainda mais quando está a julgar um ex-presidente da República reconhecido mundialmente pelo combate à fome e à pobreza num país historicamente marcado pelas desigualdades sociais. Se Moro e seus amigos, sejam eles do Judiciário ou da mídia, entendem que o projeto de Lula não é o melhor para o País, não tem problema. É um direito de todos. Mas poderiam arrumar desde já um candidato e começar a fazer campanha para que ele seja eleito em 2018.

Justiça não é arena para disputa política. E a repercussão advinda de processos não pode ser utilizada como uma cortina de fumaça para proteger os interesses de amigos. Moro condenou Lula para desviar o foco de assuntos espinhosos como a reforma trabalhista e o escrutínio público contra Temer? Não temos provas, embora tenhamos, como aprendemos com Moro, a convicção que sim. Ocorre que no estado democrático de direito, ter convicção é insuficiente sequer para a elaboração de um caprichado power point.

Esperamos que depois de todo esse oba-oba em torno das acusações contra Lula, que não seja mais a convicção, e sim os fatos, a guiarem nossos magistrados. E que, afinal, haja um julgamento digno, e seja feita justiça no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.


*Artigo inicialmente publicado no Blog do Esmael

 

Por Gleisi Hoffmann, senadora e presidenta nacional do PT






 
 
 





 

Inicial  | Biografia  |  Fotos  |  Notícias  |  Discursos  |  Contato  |  Links  |  Youtube