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17/07/2017
“Espólio” do Lula vivo será o Brasil não parar de arder “Espólio” do Lula vivo será o Brasil não parar de arder

fogonobrasil

Fonte: Tijolaço A sentença de Sérgio Moro, embora tão previsível, abriu um portão para todos os apetites, de todas as tendências, pela disputa de 2018.

De todos os lados, disputa-se o espólio do líder que, embora vivo, quase todas as camadas dominantes da política brasileira querem morto.

O primeiro personagem é Jair Bolsonaro, que já ganhou musculatura e que precisa, agora, de apoio político que lhe garanta estrutura – e tempo de televisão – para existir eleitoralmente.

Por isso, quase dois meses depois do surgimento das malas de Loures, o homem do “bang-bang” se mantém calado, sem ataques a Temer, com quem estão ainda muitos dos quais conta atrair para a sua candidatura. Um mínimo de espaço na TV e um vice evangélico são os objetivos militares, as colinas que o ex-capitão precisa dominar para ocupar outros territórios, além daquele que o ódio  e a histeria com a violência  criminosa já lhe deram.

Atrás do mastim, vem o poodle, com seu latido esganiçado. João Dória, não duvidem, deseja ardentemente que Lula seja candidato.

Sabe que é isso o que pode unir em torno dele a classe média furiosa, com um vago discurso de “gestão” e de “solidariedade social” dos empresários, discurso “bacaninha” que as picaretagens promocionais – com bom financiamento, claro – o acostumaram a fazer com seu “Lide”.

Sem Lula, perde seu alvo (nacional e social) e fica meramente paulistano, o que o deixa prisioneiro da máquina tucana, onde é importante apenas como promessa de livrar o partido do desastre eleitoral, mas não um membro da família. Aliás, é o que fica claro hoje, com a leitura do editorial da Folha onde se diz que Dória  não foi “muito além da divisa municipal, embora seja obviamente cedo para descartar possibilidades no pleito de 2018”.

Alckmin, ao contrário, é de novo o candidato-chuchu, que pretende crescer pela falta de outros e fora da polêmica, com o apoio do empresariado e do tucanato que não o pode renegar e do uso da “solução Dória” para garantir a sucessão paulista e, portanto, seu reduto eleitoral em São Paulo,  um quarto do eleitorado do país.

Marina, que como certas aves, aparece quando há carniça, confirmou, neste episódio, sua opção preferencial pela direita e pela histeria moralista. Poderia ter desancado o processo de erosão dos valores morais dentro do PT ressalvando Lula, a quem deve tanto. Preferiu, como sempre, guinchar platitudes sobre a justiça ser para todos e elogiar Sérgio Moro.

A alma microbiana de Marina Silva não consegue alcançar que, para o establishment  escravocrata, ela é algo assemelhada a uma criada, cuja função é dividir para ajudá-lo a reinar, servindo na bandeja uma parte do eleitorado popular.

Só consegue ver as possibilidades de, com a exclusão de Lula, ganhar alguma parcela do eleitorado por conta de sua origem – distante, tão distante… – pobre.

Ciro Gomes, homem decente, foi exceção e, com todas as críticas que faz, não cedeu à demagogia falsa. Suas possibilidades eleitorais, embora pequenas, não o fazem um canalha à procura de oportunidades. Não ganha, à primeira vista, votos, mas continua crescendo em respeitabilidade como político outsider.

O problema essencial da utilização do espólio político de Lula, “decretada” sua morte pela “intelligentsia” nacional que se arrojou aos pés de um juiz medíocre e messiânico (gostaria que seus áulicos de alto saber o que viria a ser aquela página “Eu MORO com ele”, produzida dentro de sua casa senão a mais barata demagogia), é “apenas” um fato: o morto está vivíssimo.

Deixá-lo disputar as eleições é um risco.

Tirá-lo delas, a garantia de instabilidade de quem vier a ser eleito.

O Aroeira, que desenhando pensa com mais lucidez que todos eles, pegou no ar o espírito da coisa.

Matar Lula na fogueira é por fogo no Brasil.


Elite-urubu quer transformar Lula em carniça

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Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Antes da sentença de Sérgio Moro contra Lula completar uma semana, a elite brasileira já exibe a clássica postura de urubu que enxerga uma providencial carniça na campanha de 2018 a candidatura Lula, o adversário histórico, o único nome capaz de derrotar seus candidatos, conforme todas as pesquisas eleitorais.

Sem dar-se ao trabalho de disfarçar a pressa, o economista Eduardo Gianetti da Fonseca, personagem de relevo no círculo que retirou Marina Silva do universo das lutas populares de origem para transformá-la em atração nos salões da oligarquia financeira, diz na Folha de S. Paulo que o TRF-4, que irá julgar os recursos de Lula, não deve perder tempo para tomar uma decisão.

"Espero que os magistrados tenham o bom senso cívico de que não é possível protelar esse julgamento," diz o economista. Embora declare uma postura de isenção sobre o mérito da decisão, ("os juízes que decidam o que for correto na opinião deles") Gianetti alerta para o risco de se perder "a melhor oportunidade de mudança em anos num mar de discussões". Em sua opinião, uma campanha com Lula "será rancorosa, envenenada." A situação será diferente, contudo, caso ele seja impedido de concorrer. "Seria bom para o eleitorado, nos daria oportunidade de fugir de uma discussão burra e debater temas importantes."

É assim, com palavras que não disfarçam a arrogância de uma classe que se coloca acima de outra ( "discussão burra") que se tenta definir uma disputa com a presença de Lula. O uso de termos típicos de psicanálise de manual ( campanha "rancorosa", eleitorado "vingativo") serve para desqualificar o eleitorado adversário, que se tenta definir como incapaz de encarar de forma racional "questões difíceis, como a Previdência".

O que o assessor de Marina tenta evitar, com a exclusão de Lula, é um debate civilizado e necessário, que só envolve "questões difíceis como a Previdência" olha aí eleitor, cuidado! para candidatos que pretendam prejudicar a maioria do eleitorado. A questão tem a ver exclusivamente com a preservação das bases materiais de existência dos brasileiros na velhice e, em muitos casos, consiste na fronteira entre a vida decente e a miséria.

O caso do assessor de Marina, hoje uma concorrente apagadíssima em todas as pesquisas eleitorais, não é único.

Em editorial "A eterna vítima" (14/7/2017), o Estado de S. Paulo não faz apelo "cívico" para o TRF-4 andar depressa. Lembra corretamente que Justiça e Política obedecem ritmos e prazos diferentes, e que talvez não seja possível retirar Lula da campanha com base numa decisão judicial produzida por conveniências indevidas. Mas o jornal já se mostra engajado, de qualquer maneira: " caso o tempo da Justiça não seja o mesmo da política, que as urnas sejam tão implacáveis quanto a sentença. Para o bem do Brasil e dos brasileiros." De forma coerente, o Estado faz o possível para desqualificar as críticas de Lula à condenação. Diz que não passam de "cantilena da vitimização", típica de quem "não existe na esfera pública se não estiver sendo vítima de alguma injustiça ou atacado pela força de uma arbitrariedade. Jamais é o sujeito ativo de seus infortúnios."

Não haveria nada a estranhar se não fosse o jornal que mais críticas tem feito a atuação do Ministério Público, em nome do Estado Democrático de Direito. Em outro editorial, "É isto a Justiça?"(1/6/2017) o Estado de S. Paulo acusava Sérgio Moro de exibir "uma visão muito peculiar de justiça". A crítica a Moro se concentrava justamente no uso de delações premiadas, recurso indispensável à sentença contra Lula, transformada em farrapo jurídico quando a defesa provou que o imóvel do Guarujá não poderia lhe pertencer após ter sido empenhado- em 2009-num contrato com a Caixa Econômica.

Falando sobre o assunto, o jornal escreveu: "cria-se um ambiente em que as delações parecem bastar. Se é assim, o objetivo não é fazer justiça mas uma certa justiça. Aliás, o juiz Oliver W. Holmes (uma das referências da Suprema Corte dos Estados Unidos) ensinava que juiz não faz justiça, aplica a lei".


Moro, na sentença, critica Lula por não cometer um crime!

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Fonte: Tijolaço Um dos trechos mais ridículos da sentença de Sérgio Moro em que condena Lula está nos parágrafos em que ele reconhece o esforço de Lula no Governo para promover o combate à corrupção, mas diz que isso não prova nada, inclusive porque o ex-presidente não invadiu a competência do Supremo Tribunal Federal para mandar “prender logo” dos condenados, antes de esgotados os recursos – entendimento centenário de nossa Justiça .

793. É forçoso reconhecer o mérito do Governo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fortalecimento dos mecanismos de controle, abrangendo a prevenção e repressão, do crime de corrupção, especialmente nos investimentos efetuados na Polícia Federal durante o primeiro mandato, no fortalecimento da Controladoria Geral da União e na preservação da independência do Ministério Público Federal mediante a escolha, para o cargo de Procurador Geral da República, de integrante da lista votada entre membros da instituição.
794. É certo que não se trata de exclusiva iniciativa presidencial, já que o enfrentamento à corrupção é uma demanda decorrente do amadurecimento das democracias, mas o mérito da liderança política não pode ser ignorado.
795. Algumas medidas cruciais, porém, foram deixadas de lado, como a necessária alteração da exigência do trânsito em julgado da condenação criminal para início da execução da pena, algo fundamental para a efetividade da Justiça Criminal e que só proveio, mais recentemente, da alteração da jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal (no HC 126.292, julgado em 17/02/2016, e nas ADCs 43 e 44, julgadas em 05/10/2016). Isso poderia ter sido promovido pelo Governo Federal por emenda à Constituição ou ele poderia ter agido para tentar antes reverter a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

Deus meu! É escandaloso que um juiz, numa sentença criminal condenatória, que implica em perda de liberdade, “julgue” o comportamento de um Presidente da República  por não ter  mandado “emenda à Constituição” para acabar com a prisão somente após o trânsito em julgado das sentenças. E muito mais ainda sugerir que “ele poderia ter agido para tentar antes reverter a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal”!

Como é que um Presidente da República “age para reverter jurisprudência” do Judiciário senão interferindo em outro poder, de forma espúria? O que o Doutor Moro está sugerindo, em sua sentença, que Lula deveria ter feito é cometer um crime!

Crime de responsabilidade, nos termos do Art. 4º  da Constituição Federal que elenca como um deles atentar contra “o  livre exercício do Poder Judiciário”.

Como seria a “ação” de Lula, Dr. Moro? Pressionar os ministros do STF a tomarem esta decisão? Nomear para o STF apenas quem se comprometesse a mudar a tradição protetiva da Justiça brasileira? Convocar uma manifestação “bolivariana” para a porta do Supremo, aos gritos de “prende, prende, prende!”

O juiz está sugerindo que se o réu tivesse praticado crime em favor da tese encarcerante que defende poderia ser diferente e favorável a sua formação de convicção sobre sua honradez?

Bem, é apenas mais um dos inúmeros absurdos contidos na sentença, como o foi o de considerar “hostilidade” a defesa recorrer ao Judiciário contra o que considerava abusos de Moro, dado que o recurso à Justiça é direito constitucionalmente abrigado…

Há outros, vários outros momentos chocantes na sentença, como aquele que diz que o fato de diversas auditorias não terem detectado os desvios na Petrobras não serve de razão para Lula, ou só “seria esta talvez uma questão relevante se o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse acusado da responsabilidade pelo esquema criminoso que vitimou a Petrobrás por omissão”. Mas como “a acusação é no sentido de que ele teria dele participado ativamente, inclusive beneficiando-se indiretamente”, embora não se prove a participação ativa, isso “não vem ao caso”.

A sentença de Moro é autoincriminatória e revela, por estas e por outras, que o juiz abordou o processo com convicções prévias e formou seus conceitos a partir da posição política hostil que guarda em relação a Lula.

Um juiz que critica e condena um Presidente da República, numa sentença, por não pressionar o Supremo a tomar tal ou qual decisão de sua exclusiva competência, teria, a rigor, de sofrer um processo no Conselho Nacional de Justiça.

Mas Moro é um deus, que tudo pode com aqueles que o fortalecem.






 
 
 





 

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