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17/07/2017
Sem Lula, eleição de 2018 fica sem referencial, dizem pesquisadores Sem Lula, eleição de 2018 fica sem referencial, dizem pesquisadores

Ricardo Stuckert
Brasil 247
Caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteja presente nas eleições de 2018, não há herdeiro automático de seus votos; dirigentes de institutos de pesquisa são cautelosos em traçar cenários para a eleição sem Lula entre os candidatos.

De maneira geral, a ex-senadora Marina Silva (Rede), terceira colocada na maioria das sondagens leva ligeira vantagem, mas o que tende a crescer, no primeiro momento, é a taxa de indecisos e de eleitores que declaram intenção de votar nulo ou em branco, possível sinal de aumento da desilusão com a política.

"Poderá ser a eleição mais enigmática desde a redemocratização", resume Márcia Cavallari, do Ibope Inteligência. "Se Lula não for candidato, a gente vai entrar[no período eleitoral sem saber absolutamente nada. Vai descobrindo no curso da campanha", completa.

Lula foi condenado por corrupção passiva na semana passada, em sentença da 13ª Vara Federal de Curitiba. Se a condenação for confirmada pela segunda instância, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o petista está fora das eleições pela lei da ficha limpa. Não há previsão segura sobre quando sobre quando o TRF4 baterá o martelo.

A pesquisa eleitoral face a face mais recente é do Datafolha, de 21 a 23 de junho. Lula lidera isolado todas as simulações de primeiro turno com até 30%. É o dobro de Marina ou Jair Bolsonaro (PSC), empatados na segunda colocação.

As informações são de reportagem de Ricardo Mendonça no Valor.


Lula e a continuação do golpe

Por Jandira Feghali, no site Vermelho:


Sem provas, rasgando o Código Penal e a Constituição Federal, o juiz de 1ª instância Sergio Moro condenou o ex-presidente Lula baseado nas ilações dos procuradores da Lava-Jato e numa delação arrancada por pressão de um condenado preso, além de convicções e uma apresentação de “powerpoint”. Rebaixou a justiça brasileira à perseguição política, algo tão repugnante quanto o cinismo que paira sobre a elite deste país.

O imóvel, situado no Guarujá, estava registrado em outro nome, com hipoteca, com sessão fiduciária e com lista de credores claramente apresentados. E, ainda assim, 73 testemunhas negaram a acusação do Ministério Público Federal durante todos esses meses de inquérito. Não foi o bastante para eles. Era preciso condenar Lula, sentencia-lo e tentar, de uma vez por todas, isolá-lo da disputa política de 2018. O objetivo sempre foi óbvio para todos nós.

A condenação segue na esteira do golpe de 2016, tentando impor um projeto que não tenha empatia com a demanda popular. Enquanto isso, vemos o senador tucano Aécio Neves se livrando de condenações e Michel Temer continuando na Presidência mesmo com tantas provas de crimes cometidos.

É irônico que isso venha acontecer exatamente durante a tentativa de admissibilidade do processo contra o presidente através da CCJ da Câmara dos Deputados. E, pior, após a aprovação no Senado Federal da assombrosa reforma trabalhista, afastando todo o debate na sociedade sobre ambos os assuntos. É um escárnio com a democracia e a história política deste país.

Lula é um dos maiores líderes mundiais e entrou para a História ao retirar o Brasil do escandaloso mapa da fome. Época, essa, que morriam 300 crianças por dia por consequências da inanição. Realidade que o PSDB de FHC e seus aliados, além do PMDB de Temer e tantos outros, jamais foi combatida com eficácia ou vontade política. Lula desafiou as dificuldades, dobrou as classes dominantes e fez com que milhões de jovens tivessem outro futuro. Uma vida com dignidade e oportunidade.

Mesmo tendo esperança que essa sentença será derrubada na segunda instância, fora da mitomania que está entranhada na Operação Lava-Jato, precisamos ocupar as ruas e defender o Estado democrático de Direito. O lawfare de Moro e aliados é um ataque severo a nossa democracia. Expresso minha solidariedade ao ex-presidente Lula e reitero que sua volta será triunfante, eleito pelo voto e sabedoria do povo, novamente. Não subestimem a inteligência do povo brasileiro que rejeita a injustiça, a manipulação, a política rebaixada, e quer de volta seu país, suas conquistas e seu direito de escolher os destinos do país.


Sergio Moro, o intérprete do ódio


Por Maurício Dias, na revista CartaCapital:

 

Pela segunda vez, a oligarquia brasileira condena Lula. Inicialmente, o operário barbudo, engajado em lutas sindicais nos anos 1980, foi jogado numa cela por 31 dias. Hoje, após duas bem-sucedidas passagens pela Presidência da República, ele se vê de novo acossado pelo preconceito de classe, transformado em ódio na sentença de Sergio Moro.

Após a leitura da decisão monocrática do juiz, é compreensível ouvir o cidadão consciente repetir por mil vezes, ou mais, esta espécie de mantra: não há provas. Há deduções. A soma delas, no entanto, não resulta em verdade.

Na sentença, onde o problema trata do célebre triplex do Guarujá, Moro reage e nega a tese de que a condenação de Lula seria um caminho para evitar a possível volta dele à Presidência na eleição de 2018. O juiz argumenta: “O ex-presidente (...) não está sendo julgado por sua opinião política (...) e não há qualquer relevância em suas eventuais pretensões futuras de participar de novas eleições...”

Ponto extremamente importante, ao flagrar a canalhice de Moro. Seria por distração que o inquisidor curitibano restringiu a possibilidade de Lula ocupar cargos públicos por mais 19 anos? O magistrado botou a bola na marca do pênalti, afastou o goleiro e mandou Lula chutar. “Ele tem um otimismo sobre mim que eu mesmo não tenho”, sentenciou o ex-presidente.

O juiz projetou na soma da punição para Lula, hoje com 71 anos, uma expectativa de vida longa, muito além da expectativa de vida do brasileiro, de 72 anos. Assim, se for condenado, o petista não poderá disputar eleição até o ano de 2036.

No corpo da sentença, Sergio Moro faz referência à queixa-crime apresentada por Lula, oficialmente como réu, oficiosamente como adversário, contra o abuso de autoridade do juiz. O ex-presidente sustenta a acusação no caso da condução coercitiva sofrida em 2016, e por ter levantado o sigilo telefônico de Lula e da hoje ex-presidenta Dilma Rousseff.

Ele admite “ter errado” na divulgação dos áudios da gravação e da conversa de Dilma com Lula. Mas logo se refugia, para se proteger, no sistema de “erros e acertos” da Justiça brasileira. Lula, porém, já entrou pela porta da frente da história. Quanto a Moro – Moro? –, vai sair pela porta dos fundos.






 
 
 





 

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