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19/05/2017
Temer não renuncia; ruas devem derrubá-lo! Temer não renuncia; ruas devem derrubá-lo!

Por Altamiro Borges
Fonte: Brasil 247

Em pronunciamento no final da tarde desta quinta-feira (18), o usurpador Michel Temer garantiu que não vai renunciar. O falsário jurou que é inocente e exigiu "investigações rápidas" sobre as delações "clandestinas" do executivo da JBS - que comprovam suas relações carnais com o presidiário Eduardo Cunha. A aparente valentia do Judas, porém, indica que o seu fim está próximo. O golpista não tem mais nenhuma condição de seguir no posto tomado de assalto por um golpe dos corruptos. Os ratos, inclusive, já começam a abandonar o barco à deriva. O sinistro da Cultura, Roberto Freire - o pulha oportunista do PPS - confirmou a sua saída do covil golpista. No Congresso Nacional, vários partidos da base aliada sinalizam que vão tentar salvar sua pele.

A grave crise institucional, que tende a se prolongar com a decisão de Michel Temer de não deixar o cargo usurpado, pode ter duas saídas. As forças que orquestraram o impeachment criminoso e ilegal de Dilma Rousseff, tendo a frente a golpista Rede Globo, já preparam uma saída por cima - um golpe dentro do golpe. Merval Pereira, Ricardo Noblat e outros mercenários globais afirmam que a única forma de superar a crise é a eleição indireta, pelo Congresso Nacional, de um presidente-tampão. Vários nomes já circulam na praça. A inexpressiva Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), é uma das mais citadas. Os abutres financeiros insistem no nome do rentista Henrique Meirelles - que, vale lembrar, foi executivo da corrupta JBS. A ideia é rifar o moribundo Michel Temer e limpar o terreno para seguir aplicando as políticas ultraliberais dos golpistas.

Diante deste risco, a única saída que ajudaria o Brasil a enfrentar a grave crise institucional - que terá reflexos no maior agravamento da crise econômica - é a convocação imediata de eleições diretas. Se depender da elite - ou melhor, cloaca - burguesa, orientada pelo partido da Rede Globo, este caminho mais democrático será abortado. A única forma de viabilizar esta saída é a forte e ousada mobilização da sociedade, que deve tomar as ruas e praças de todo o país. As centrais sindicais, em nota conjunta, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e outros movimentos sociais e organizações da sociedade civil já estão agendando inúmeros protestos para os próximos dias. Somente as ruas podem impor a queda do Judas Michel Temer, a prisão dos falsos moralistas - como Aécio Neves - e a convocação das eleições diretas. Do contrário, o Brasil vai afundar de vez no caos!


>O poder está nas ruas: Diretas, já!

Por Saul Leblon, no site Carta Maior:

O Brasil adormeceu nesta quarta-feira, 17 de maio de 2017, sem saber as respostas para muitas das perguntas essenciais cobradas pelo passo seguinte de sua história.

Mas a principal delas para ir direto ao ponto - dispensando-se o retrospecto da implosão da frente golpista, com as gravações de pedidos de propinas feitas aos donos do JBS por Aécio Neves e Michel Temer - é saber se a mobilização popular será capaz de preencher o vazio vertiginoso que se abriu agora não apenas na cúpula política, mas na estrutura do poder na sociedade.

As instituições que dão coesão a uma sociedade fundada em conflitos de interesses agudos, como é o caso da brasileira, cujos abismos de desigualdade são sabidos, estão no chão.

Não há legitimidade no parlamento.

O judiciário tornou-se a armadura desfrutável do assalto das elites contra as urnas, na farsa de um impeachment – confirma-se agora-- arquitetado com uma escória a soldo.

A mídia foi a voz da exortação e da institucionalização desse esbulho.

Como será o amanhã de uma nação na qual o amálgama político foi destruído em nome do combate à corrupção. E sob esse biombo faiscante operou-se a virulenta destituição de direitos arduamente conquistados em um século de lutas democráticas?

O conservadorismo está na defensiva.

A plutocracia perdeu seu manto moral.

Desnudou-se como uma reles devoradora de libras de carne humana barata.

Moro e seus promotores terão que se explicar: por que nunca –nunca- abriram o foco para a tempestade que ora desabou, sobre as suas cabeças inclusive?

O contato mais próximo do califado de Curitiba com o assunto ‘Aécio Neves’ está documentado na série de fotogramas de sorridente cumplicidade entre o presidente nacional do PSDB e o juiz Sergio Moro.

Da mídia é suficiente dizer que sem ela o golpe teria sido impossível, assim como inviável a preservação da capatazia que ora sucumbe às gravações.

Reordenar a sociedade a partir de agora, portanto, é uma tarefa que só a rua poderá exercer integralmente, devolvendo-lhe a prerrogativa das urnas.

As sirenes da história anunciam confrontos intensos no front.

Não existe uma fórmula macroeconômica autossuficiente - seja a do golpismo, ou uma de ‘esquerda’ - para tirar o Brasil do plano inclinado em que se encontra.

O que existe é uma derrocada vergonhosa do conservadorismo que amplia o espaço para o debate das reformas verdadeiramente indispensáveis à destinação social do desenvolvimento. A saber:

- uma reforma política para capacitar a democracia a se impor ao mercado;

- uma reforma tributária para buscar a fatia da riqueza sonegada à expansão da infraestrutura e dos serviços;

- uma reforma do sistema de comunicação para permitir o debate plural dos desafios brasileiros –que, insista-se não se resolvem sem ampla e permanente renegociação.

O Brasil será aquilo que a rua conseguir que ele seja. E o momento nunca foi tão propício para escrever isso no asfalto e nas praças de todo o país.

A legitimidade das ruas precisa ser exercida.

Urgentemente.

Só as lideranças populares tem condições hoje de falar à população em um palanque.

O conservadorismo usará o palanque privado da Globo para barrar o escrutínio da sua crise nas urnas.

A ocupação das ruas definirá quem é a liderança popular hoje no Brasil capaz de devolver credibilidade à política e seriedade à repactuação do desenvolvimento, arrebatando assim o apoio indispensável de setores da classe média democrática para levar a nação às urnas e retomar o fio de uma construção interrompida --mais uma vez-- pela violência política conservadora.






 
 
 





 

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