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19/05/2017
Temer, do começo ao fim Temer, do começo ao fim

Por Emir Sader
Fonte: Brasil 247

Nem resgate da confiança no governo, nem recuperação da economia, nem fim da corrupção. Temer termina como começou: na mediocridade e na intranscendência.

Marx se perguntava, no XVIII Brumário, como um personagem insignificante como Luis Bonaparte poderia ter um papel de destaque na história. Eram necessárias circunstâncias muito excepcionais para que isso acontecesse. Que condições foram possíveis para que um personagem tao medíocre como Temer fosse guindado à presidência do Brasil?

Temer nasceu para o destaque político quando o PMDB terminou de se descaracterizar, com a derrota em 1989 e a morte de Ulysses Guimarães, marcando o esgotamento definitivo do impulso democrático que esteve presente nesse partido. O impulso não sobreviveu ao governo Sarney e, a partir dali, a morte ideológica do partido estava anunciada.

A mediocridade de Temer o talhava para protagonizar o novo período do PMDB. Como não é nada, em sua absoluta mediocridade, podia ser pintado de diferentes cores, para que o partido se integrasse a diferentes projetos, conforme o vento soprasse. Assim, o PMDB esteve na implementação do prorama neoliberal do governo FHC e, em seguida, nos governos que implementarão políticas antineoliberais, em sentido totalmente oposto ao de FHC, nos governos de Lula e Dilma.

Temer não foi escolhido pelo PT para ser vice de Dilma. Ela era o presidente do PMDB, pela sua capacidade camaleônica de manter o equilíbrio entre os diversos caciques do partido e levá-lo para uma ou outra direção, sempre tendo em comum o papel de estabilizador de governos, sem nunca poder disputar a hegemonia. Para agradar seus caciques, o PMDB sempre anunciava, ao final de cada eleição, que teria candidato próprio à presidência na eleição seguinte, que nunca se concretizava. Sem programa próprio, o partido ficou voltado para ser coadjuvante – do PSDB ou do PT.

Na campanha de 2010, Temer foi indicado pelo PMDB para ser vice na chapa da Dilma, com a manutenção do programa dos governos Lula, função que foi reiterada em 2014, quando ele defendeu esse programa na campanha.

A crise do governo Dilma, no começo do seu segundo mandato, abriu as portas para que a mediocridade do Temer fosse colocada a serviço de um outro projeto, o derrotado nas urnas, pela chapa da qual ele tinha feito parte. Valendo-se da disposição desestabilizadora da mídia e do grande empresariado, além da virada interna do partido, sob a condução de Eduardo Cunha, Moreira Franco fez um repertório das piores e mais retrógradas posições da direita, para apresentar como um programa mediante o qual Temer poderia se apresentar como alternativa ao governo Dilma.

O programa era uma expressão da posições da direita – do governo FHC, passando pelas das candidaturas de Serra, Alckmin, Aécio, Marina – e assim reunificou a velha mídia, o grande empresariado e os setores do Judiciário aderidos ao golpe. Foi sua oportunidade histórica de sair da mediocridade e desempenhar papel protagonista. Para isso, anunciou que era necessário reunificar o país, reconquistar a confiança no governo, retomar o crescimento econômico.

Sabemos que nada disso foi feito e assim ele voltou a ser um personagem decorativo, porque nem o grosso do pacote regressivo do programa que ele havia assumido foi aprovado. As acusações de corrupção comprovadas o tornaram um personagem mediocremente inútil. Ele cai sem pena nem glória e o país fica entregue a uma situação caótica do ponto de vista político e institucional e de desagregação do ponto de vista econômico e social.

Abre-se o pós-Temer, que a direita pretende que não seja o pós-golpe. A disputa sobre essas alternativas se torna mais aberta e a esquerda intervém firmemente pelas eleições diretas e a retomada da democracia, depois do triste interregno golpista de Temer, o medíocre e breve.



>Fora Temer, Diretas Já!


Por José Guimarães
Fonte: Brasil 247

Diante das revelações indefensáveis de delatores da operação Lava-Jato – com gravações de áudio e vídeo já confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal – o governo de Michel Temer, que já não tinha nenhuma legitimidade, perde qualquer condição de continuar à frente do País. A essa altura o Brasil inteiro já conhece detalhes das relações espúrias de Temer com os executivos da JBS para obstruir a Justiça. A única saída para essa crise profunda é a realização de eleições diretas já.

Se o Brasil já estava em uma crise cada vez mais profunda, intensificada pelo golpe, com os novos fatos somente a soberania popular poderá levar ao Planalto um governante com legitimidade suficiente para recolocar o país nos trilhos da normalidade democrática e de retomada do crescimento. Estender por tempo indeterminado o quadro de total instabilidade do momento somente aprofundará essa crise, que tem em suas piores facetas o desemprego recorde – 14 milhões de desempregados – e a descrença sem precedentes no futuro.

Mesmo antes desse verdadeiro Tsunami que agora assola o país, o governo ilegítimo de Temer já se baseava em uma governabilidade fictícia, ancorada unicamente no toma lá, da cá. Há dias nós, parlamentares de oposição, denunciamos em todos os canais de que dispomos as manobras pouco republicanas do governo para aprovar suas anti-reformas, que têm como único objetivo destruir o Estado de bem estar social previsto na Constituição de 1988, e entregar o país à forma mais selvagem de capitalismo.

Em aparente contradição, para cobrir um alegado déficit de R$ 151 bilhões da Previdência o governo estava disposto a concede benesses fiscais a sonegadores que chegariam a R$ 450 bilhões. Com a Medida Provisória 766/17, que permitiria o refinanciamento de dívidas com o fisco, por exemplo, seria possível obter descontos de até 90% das multas de 99% juros para pagamento à vista, além de bônus de adimplência de 10% sobre as parcelas, no caso de parcelamento, também com descontos de até 80% sobre os encargos.

Com se vê, não se trata de renegociação, mas de simples renúncia a esses créditos do Tesouro Nacional. E a conta final não poderia ser mais salgada para o povo brasileiro – algo em torno de R$ 400 bilhões, considerados débitos inscritos e não inscritos na dívida ativa da União.

Mas não fica só nisso. O governo também previa permitir a renegociação das dívidas dos municípios, em transações que custariam outros R$ 30 bilhões aos cofres públicos.

Como sempre, os ruralistas não poderiam ficar fora do pacote de bondades. Teriam direito ao seu próprio programa de refinanciamento de dívidas, com renúncia fiscal calculada em cerca de R$ 20 bilhões.

Diante de tanta bondade com o andar de cima, parcela mais rica da população, fica claro que o discurso de que as “reformas” têm por objetivo equilibrar as contas públicas não passa de uma falácia. No fim, esse governo pretendia apenas entregar a fatia mais importante da obra para a qual foi colocado no poder – socorrer as elites nesse momento de crise. Como sempre, a conta deveria ser inteiramente paga pelo trabalhador, que perderia até mesmo o direito ao descanso remunerado na velhice, proporcionado pela aposentadoria.

Mas agora, com o agravamento da situação do governo de Michel Temer, o Brasil tem uma nova oportunidade de voltar a vislumbrar um futuro melhor. Esse é o momento de reunificar as forças democráticas em torno de um projeto de fortalecimento da cidadania, de retomada do crescimento com redução das desigualdades. Da reconquista do Estado para trabalhar em favor de todos, não apenas daqueles que podem pagar mais por isso. Nos próximos dias, precisamos de povo nas ruas, mais do que nunca é preciso deixar claro o desejo de “Fora Temer, diretas já!”.






 
 
 





 

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