.
Paraíba, 17/05/2010
Governo inicia campanha de combate à exploração sexual de crianças

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República abriu ontem, em Brasília e outras cidades de sete estados, as atividades com que pretende marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Na capital federal, 700 crianças e adolescentes de 20 escolas e orfanatos participaram do lançamento da campanha, que tem o objetivo de mobilizar a sociedade para que ajude a combater a exploração sexual de menores.

“Queremos dar visibilidade a esse tema. Denunciar é a forma de as pessoas protegerem as crianças, pois muitas vezes o agressor está dentro de casa”, observou Karina Figueiredo, coordenadora do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes.

Dados do comitê informam que a média diária de denúncias recebidas pelo disque 100 é de 80 ligações. No ano passado foram registradas 220.676 denúncias; neste ano, até abril, foram relatados 54.513 casos de algum tipo de exploração sexual praticada contra menores. O disque 100 funciona de 8h às 22h, inclusive nos fins de semana e feriados.

A campanha aberta ontem tem o slogan “Faça bonito. Proteja nossas crianças e adolescentes”. Em Brasília, os organizadores do evento distribuíram panfletos, adesivos, camisetas e um broche com a flor, que simboliza a infância e demonstra a vulnerabilidade das crianças frente ao abuso e à exploração sexual.

Pesquisa do Centro de Referência para a Violência Sexual divulgada ontem pelo jornal Correio Braziliense informa que o receio de apanhar, de não ser acreditada e das ameaças dos algozes, levam 57,8% das vítimas no Distrito Federal a conviver com episódios recorrentes. O jornal destaca ainda que, em 60% dos casos, a denúncia da vítima não dá origem a um processo criminal no Judiciário, “ou seja, nada acontece a quem abusa”..

De acordo com a reportagem, o estudo revela ainda que 39% dos abusos são praticados sem ameaça. Outros 33,1% dos casos ocorreram com intimidações físicas e 23,5%, com ameaças de caráter emocional. A maior parte da violência é intrafamiliar, quando o abusador tem laços familiares com a criança.
 
Sem indícios que levem à produção de provas materiais, resta a palavra da vítima contra a do agressor, que geralmente é uma pessoa respeitada em seu meio social. Isso explica, em parte, porque tantos casos se encerram na própria delegacia ou são arquivados pelo Ministério Público.
 






Importante
Em virtude da grande quantidade de textos e de notícias, clique aqui e faça uma busca interna na nossa base de dados