“O número de munições de armas de fogo cresceu no Brasil e a quantidade de armas reduziu, após o Estatuto do Desarmamento. Isso mostra que os bandidos estão atirando mais com as mesmas armas”, afirmou o deputado federal Luiz Couto, integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas da Câmara Federal.
Esta conclusão faz parte de um relatório apresentado durante uma sessão especial na Câmara Federal, na última quinta-feira, em Brasília (DF), pelo Instituto Sou da Paz. No domingo passado, o Jornal Correio publicou uma reportagem especial sobre o tráfico de armas e os jovens, que mostrou que cerca de 207 mil armas de fogo clandestinas circulariam com criminosos na Paraíba, segundo a pesquisa “Brasil: as armas e as vítimas” (2005), da Organização Não-governamental Viva Rio.
Segundo o parlamentar, o tráfico de armas de fogo na Paraíba tem o envolvimento de policiais e de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista que se ramificou por vários Estados do País, inclusive a Paraíba.
“Os membros dessa facção trocam armas por drogas. Existem também policiais alimentando o tráfico de armas e drogas. As milícias armadas privadas fornecem armas para o crime e elas chegam nas mãos de jovens. Temos recebido denúncias recentes sobre isso”, revelou Luiz Couto, que recebeu o documento da Organização Não-governamental Sou da Paz.
De acordo com o relatório “Implementação do Estatuto do Desarmamento – Do papel para a prática”, a Paraíba figura entre os quatro Estados do País que apresentaram as taxas mais baixas de solicitação de armas registradas, juntamente com Bahia, Alagoas e Sergipe. Ou seja, apenas 624 armas antigas sem registro foram registradas na Polícia Federal da Paraíba, em 2008.
Para Luiz Couto, há um crescimento do tráfico de armas e munições, apesar de haver uma repressão por parte das polícias. Ele explicou que o Sou da Paz quer aumentar a exigência para porte de arma. A ONG diz que o Estatuto do Desarmamento provocou uma queda de 8% no número de homicídios no Brasil, que chegou a 12% em 2006. “O Estatuto melhorou o controle de armas, mas infelizmente, está sendo mutilado por diversos projetos de parlamentares. Isso pode piorar a situação. Ainda é grande a facilidade de comprar armas clandestinas sem qualquer repressão. É preciso um controle maior das armas de colecionadores. Além disso, o crime organizado tem muitas armas em seu poder”, afirmou.
Viciados fazem a segurança
Viciados em crack, adolescentes e jovens armados estão fazendo a segurança de traficantes na Paraíba, nas periferias de cidades como João Pessoa e Campina Grande. “A juventude é afoita. Então, os traficantes entregam munição aos jovens para eles aprenderem a atirar e colocam armas nas mãos dos menores para que façam a segurança deles. A recompensa para os adolescente é o crack. Por isso, há tantos jovens matando e morrendo. Esses crimes são difíceis de serem evitados, porque há relação com as drogas, principalmente com o crack. O consumo de entorpecentes já chegou em todas as classes sociais”, afirmou o delegado Wallber Virgolino, do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE).
Segundo o delegado, aproximadamente 80% dos casos de prisões de criminosos feitas pela Polícia Civil na Paraíba sempre existem armas de fogo no meio. “O revólver calibre 38 ainda é o mais apreendido. Mas está nos surpreendendo a grande quantidade de pistolas encontradas com bandidos. Todo bandido que prendemos diz que comprou nas feiras de Oitizeiro e de Bayeux. Mas isso é mentir a, é um álibi, um jogo da bandidagem. As armas vêm, principalmente, de outros Estados”, destacou Wallber Virgolino.