João Pessoa possui a 4ª maior taxa de homicídios entre as capitais do Brasil. A informação foi anunciada na manhã de ontem em São Paulo no lançamento do Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil. O Rio de Janeiro é a 14ª e São Paulo a 26ª. De acordo como estudo, em 10 anos, a capital paraibana subiu 12 posições no ranking das capitais com maior número de homicídios por 100 mil habitantes. Contudo, a taxa geral do Estado subiu apenas três posições, da 16ª para 13ª no mesmo intervalo. Entre os municípios com maior taxa de homicídios na população de 0 a 19 anos, Campina Grande está na 10ª posição, com média de 51,6 por 100 mil habitantes.
João Pessoa também é a única cidade paraibana entre as 100 primeiras com maior taxa de homicídio. O estudo foi desenvolvido entre os anos de 1997 e 2007 pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangari, e mostra que a Capital paraibana é a 7ª com maior percentual de aumento da quantidade de homicídios, 107%. Segundo a pesquisa, em 1997 em João Pessoa houve 187 homicídios, já em 2007 esse número saltou para 387.
A capital com a maior taxa de homicídios é Maceió, estado de Alagoas, com média de 97,4 assassinados por 100 mil habitantes. A segunda maior taxa foi apresentada pela capital pernambucana, o Recife, com 87,5 e a terceira capital com maior quantidade de homicídios por 100 mil habitantes é Vitória, no Espírito Santo.
João Pessoa segue em sentido oposto à tendência verificada no balanço geral do país. O estudo revelou que, no Brasil, o número de homicídios passou de 25,4 por 100 mil habitantes em 1997 para 25,2 em 2007. E a queda foi maior nas capitais do país, onde as ocorrências passaram de 45,7 homicídios a cada 100 mil habitantes em 1997 para 36,6 em 2007. Porém, no interior os números são diferentes.
Casos aumentam no Interior
O estudo mostra que a taxa de homicídios, a cada 100 mil habitantes, no interior do país cresceu de 13,5 em 1997 para 18,5 em 2007. Os dados indicam o fenômeno da “interiorização da violência”, conforme a pesquisa, que começou na virada do século e consiste no deslocamento dos polos da violência das capitais e regiões metropolitanas para o interior.
A pesquisa ainda divulgou uma lista dos 300 municípios com maior taxa de homicídios. João Pessoa aparece na 93ª posição com taxa de 56,6; Santa Rita aparece em 232º com taxa de 41,8 e Bayeux em 298º, com uma taxa de 38,5.
Violência cresce entre jovens
A violência também continua crescendo entre os jovens. João Pessoa ocupa a 63ª posição entre os municípios com maior taxa de homicídios na população de 15 a 24 anos, com média de 114,9 por 10 mil habitantes. Seguido pelas cidades de Santa Rita, na 192ª posição (com taxa de 72,5) e Campina Grande, na 226ª posição (com taxa de 66,7).
De acordo com o Mapa da Violência, em mais de 90% dos homicídios de pessoas com idade entre 15 e 24 anos, as vítimas eram homens e os mais atingidos no período foram os negros: se em 2002 morriam 46% mais negros do que brancos, em 2007 a proporção cresceu para 108%.
Mais de 500 mil assassinatos
Os dados do Mapa da Violência 2010 - Anatomia dos Homicídios no Brasil, divulgado ontem, mostra que, de 1997 a 2007, o Brasil registrou 512.216 assassinatos. Só em 2007, foram 47.707 vítimas, nada menos do que 130,7 por dia. Em 2007, a taxa de homicídios no país era de 25,2 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, a mais baixa dos onze anos no período estudado.Ainda assim, apenas dois décimos menor do que a de 1997 (25,4). Ou seja, uma década depois, o país retomou o patamar de 1997.
O estudo é baseado nos atestados de óbito do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. A queda foi maior nas capitais do país, onde as ocorrências passaram de 45,7 homicídios a cada 100 mil habitantes em 1997 para 36,6 em 2007.Porém, no interior os números são bem diferentes. A taxa de homicídios no interior do país cresceu de 13,5 (a cada 100 mil) em 1997 para 18,5 em 2007.
De acordo com o estudo, os dados indicam o fenômeno da “interiorização da violência”, que começou na virada do século, e consiste no deslocamento dos pólos dinâmicos da violência das capitais e regiões metropolitanas para o interior.
Redução de mortes no país
O número de homicídios no país apresenta uma tendência de queda pela primeira vez na história recente. Se até 2003 a taxa de homicídios crescia a cerca de 5% ao ano, chegando ao número de 51.043 mortes, a partir de então a tendência é de redução. Em 2007 caiu para 47.707 mortes.
Segundo o autor do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangari, um dos motivos que explicam essa queda na taxa de homicídios a partir de 2003 foi a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento, que estimulou a entrega voluntária de armas e passou a haver mais controle sobre o porte delas. “Em 75% dos casos, os homicídios são cometidos com arma de fogo”, explicou.Também contribuiu para essa queda no número de homicídios a redução da violência em estados populosos como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. “A partir de 2006, as taxas começam a cair significativamente [nesses três Estados]. E são Estados em que o peso demográfico representa 50% da população [total brasileira]”.
Segundo o pesquisador, o país não tem uma receita pronta e formulada para combater à violência. Mas cita exemplos, como em São Paulo, Minas Gerais e Rio. Ele destaca o caso de Diadema (SP), que é um exemplo internacional. Em 2000, Diadema era um dos municípios mais violentos do Brasil com uma taxa de 147 homicídios a cada 100 mil habitantes. Em três anos caiu para 47.Com uma política estadual eficiente, São Paulo deixou de ocupar a 5ª posição no ranking de estados mais violentos (com 29,1 homicídios a cada 100 mil habitantes em 1997) e passou a ocupar a 25 posição (com 15 homicídios a cada 100 mil em 2007).
Marcelo Rodrigo e Elaine Patricia Cruz